corpo_da_terra  (2019 -      )

Sem folha não tem sonho

Sem folha não tem festa
Sem folha não tem vida
Sem folha não tem nada

Quem é você e o que faz por aqui
Eu guardo a luz das estrelas
A alma de cada folha
Sou Aroni

Cosi euê
Cosi orixá
Euê ô
Euê ô orixá

Salve as Folhas

Gerônimo / Ildásio Tavares
Maria Bethânia - Brasileirinho

(com poema O Descobrimento, de Mário de Andrade, declamado por Ferreira Gullar)

corpo_da_terra é parte de uma série de trabalhos de mapeamento afetivo das folhas da Mata Atlântica. As folhas foram fotografadas na mata em São Sebastião-SP durante um mês. As imagens foram impressas em adesivos e estão sendo coladas em áreas urbanas de forma colaborativa, como forma de dar voz à vegetação da Mata que já esteve nestes espaços. É urgente ampliarmos a percepção acerca da interdependência e da relação entre todos os seres e de toda a matéria da Terra, disso depende nossa sobrevivência.

O trabalho foi realizado na Kaaysá ArtResidency, residência artística com duração de um mês em Boiçuganga, São Sebastião –SP, área litorânea caracterizada pela presença dos últimos 7% da Mata Atlântica. A pesquisa visual parte da relação com o local, por meio de presença prolongada e intensa produzindo imagens nestes espaços relativamente preservados da ação invasiva do ser humano, e de conceitos das ciências naturais e da metafísica; em busca de investigar as formas de interdependência que nos envolve. 

Parte do Todo

O Reino Vegetal é autótrofo (produz seu próprio alimento), sendo a base enérgica de todo o Reino animal. Tem espírito, consciência, percepção, criatividade. Quando em floresta garante a vida: a diversidade das espécies vegetais, fungos e animais, as relações, a água doce, o ar. Somos, como a mata, parte da Terra, não vivemos fora da rede de relações, interdependência e movimento que mantêm a vida. A tecnologia e o dinheiro não podem nos salvar. A percepção sim.